Como a Rubelia chegou a Copacabana
A Rubelia abriu as portas na Avenida Nossa Senhora de Copacabana no início da década passada, a partir de uma prática de bancada que já vinha de anos anteriores. O nome foi tirado de um termo da gemologia — a rubela é uma variedade de turmalina cor-de-rosa a vermelha, pequena e de corte preciso, o que resume bem o espírito do trabalho: atenção ao detalhe, escala humana.
O ateliê nasceu de uma insatisfação com o atendimento genérico disponível no mercado. Relógios com calibres raros chegavam a oficinas que não tinham referência técnica específica para aquele movimento. Peças de herança eram submetidas a procedimentos pensados para séries modernas. Proprietários saíam sem entender o que havia sido feito nem por quê.
A proposta da Rubelia foi diferente desde o começo: documentar cada etapa, discutir o levantamento antes de começar qualquer trabalho e adaptar o procedimento ao calibre que está na bancada — não a um protocolo genérico. Com o tempo, isso foi atraindo proprietários de relógios de coleção, peças de família e edições de curta tiragem que precisavam de um tratamento mais cuidadoso.
Hoje o ateliê atende três modalidades — inspeção, revisão completa e conservação de peças de coleção — com prazos e escopos definidos por escrito antes de qualquer intervenção. A localização em Copacabana facilita o acesso de quem está no Rio e serve de ponto de referência para clientes que enviam peças de outras cidades.
Tratar cada relógio segundo o calibre e a condição que apresenta, com documentação clara e sem etapas realizadas sem concordância prévia do proprietário.
As pessoas por trás da bancada
Um grupo pequeno com especializações complementares — cada peça é tratada pela pessoa com mais familiaridade com aquele tipo de calibre.
Felipe Andrade
Relojoeiro Principal
Trabalha com movimentos mecânicos e automáticos há mais de quinze anos, com ênfase em calibres suíços das décadas de 1950 a 1980.
Larissa Mendes
Especialista em Conservação
Formada em restauro, cuida da conservação de mostrador, ponteiros e caixa em peças de coleção onde o aspecto original deve ser preservado.
Rafael Costa
Técnico em Quartzo e Diagnóstico
Responsável pelos relógios de quartzo e pelo uso do timegrapher nos laudos de inspeção. Cuida também dos testes de estanqueidade.
Como o ateliê conduz cada trabalho
Cada procedimento segue uma sequência definida, com registros escritos e aprovação do proprietário antes de qualquer etapa relevante.
Levantamento por escrito
Todo trabalho começa com um documento escrito que descreve o estado observado e o que está previsto. O proprietário assina antes de qualquer intervenção começar.
Limpeza por ultrassom
Os componentes desmontados passam por limpeza ultrassônica com soluções adequadas ao tipo de metal e ao nível de oxidação presente.
Inspeção sob ampliação
Cada componente é inspecionado individualmente com lupa estereoscópica antes da remontagem. Pivôs, joias e denteados são verificados em todas as peças de revisão.
Lubrificação por especificação
São utilizados óleos e graxas com viscosidade correspondente a cada ponto do movimento — não um único lubrificante aplicado em toda a peça.
Medição por timegrapher
Marcha, amplitude e erro de batida são lidos antes e depois do trabalho. Os valores ficam registrados na ficha do relógio e são entregues ao proprietário.
Privacidade das informações
Os dados fornecidos pelo cliente são usados apenas para o atendimento do serviço. Nenhuma informação é compartilhada com terceiros para fins comerciais.
O que orienta o trabalho de bancada na Rubelia
Relógios mecânicos são objetos com tolerâncias medidas em milésimos de milímetro. A folga entre um pivô e uma joia, a tensão da mola real, o ajuste do êscape — cada um desses parâmetros afeta a marcha do movimento de forma mensurável. Por isso, o trabalho de bancada na Rubelia começa sempre pela medição, não pela suposição.
No caso de calibres com poucos anos de uso e marcha dentro do esperado, uma inspeção com regulagem pode ser suficiente. Para movimentos que estão há mais de cinco ou seis anos sem manutenção — ou que apresentam amplitude baixa, variação de marcha entre posições ou ruído percebido no balanceiro — a revisão completa é o procedimento adequado. O proprietário recebe essa avaliação por escrito antes de qualquer decisão.
Para relógios de coleção, o critério muda. Um mostrador com pátina original tem um valor que seria destruído por uma limpeza agressiva. Uma bracelete com elos esticados pode ser corrigida sem substituição completa. Cada caso é avaliado a partir do que o objeto apresenta — não a partir de um protocolo padrão de fábrica. O resultado documentado em fotografia e em texto acompanha o relógio na entrega.
O ateliê não promete prazos que não pode cumprir nem resultados que dependem de fatores fora do controle da bancada. O que se pode garantir é um processo transparente, com comunicação em cada etapa relevante e um produto final verificado por medição antes da entrega.
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